Primeiro o barro, o pó, sacral costela,
Os ossos claros, Lua branca em prata,
Os olhos pretos, fossa escura e bela,
A grave voz poder ardil dilata...
Contornos grossos sobre o braço forte,
Que carne pulcra em gesso e nobre argila!
Na pele, os cedros negros, ruivo o corte
De barba quente ao Sol viril cintila...
Esperto o jovem canta alegre e dança,
E jogos, caças, peças outrossim...
E jaz à mesma imagem, semelhança
Um deus deitado nu em seu jardim...
Assim as glórias Dele não se somem
Criando em barro, em pó, o simples homem
NOTAS:
1. Soneto inglês de 2018;
2. Metro adotado: pentâmetro iâmbico;
3. Imagem: Tentação de Adão e Eva. Tintoretto, Ca. 1550. Imagem estilizada no Canva.